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Interocepção social

O TRATAMENTO DAS DOENÇAS MENTAIS ATRAVÉS DO CORPO, EM CONTEXTO SOCIAL

Traduzido por Carlos Miguel da Silvia Monterio editado por Rodrigo Fonseca

 

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Saga Briggs

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O CAMPO CRESCENTE DA INTEROCEPÇÃO SOCIAL – QUE EXAMINA COMO AS EMOÇÕES SOCIAIS SURGEM DA AVALIAÇÃO SUBJETIVA DE ESTADOS DO CORPO – APELA PARA O RECONHECIMENTO DE QUESTÕES DE SAÚDE MENTAL COMO “PROBLEMAS DE SAÚDE SOCIAL” E CONSTRÓI O CASO PARA NOVAS FORMAS DE CUIDADO SOCIAL, INCLUINDO TERAPIA. FALEI COM PESQUISADORES DA UC SAN DIEGO, DA UNIVERSIDADE DO LABORATÓRIO DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL DA UTAH E DA UNIVERSIDADE DE ZURIQUE PARA SABER MAIS.

Foi através do estudo de uma parte do cérebro DENOMINADA DEínsula que o neurocientista John Allmann percebeu que a autoconsciência e a consciência social fazem parte do mesmo funcionamento1. Escondida nas profundezas da fissura SYLVIANA, um centro de conectividade disfarçado como uma ilha em si mesma, a ínsula é uma das principais estruturas cerebrais responsáveis ​​por traduzir os estados do corpo em emoções sociais. Ela começa a fazer isso por nós no momento em que nascemos, transformando o toque íntimo em sentimentos de prazer ou um tom áspero de um pai em sentimentos de vergonha. Se não recebermos cuidados adequados quando crianças, a maneira como a ínsula codifica a relação entre nossos corpos e as emoções sociais pode-se CONSOLIDAR de forma inadequada, levando a uma propensão para problemas de saúde mental AO LONGO DA vida2. Evidências crescentes mostram que É possível mudar essa relação, uma vez que a ínsula também desempenha um papel ATIVO nas práticas terapêuticas, como a meditação, mindfulness, e na terapia PSICODÉLICA assistida. Em conjunto, estes resultados sugerem que a ligação entre o corpo, o eu e as emoções sociais DESEMPENHAM um papel maior na saúde mental do que PODERÍAMOS imaginar, destacando a necessidade de mais OPÇÕES de TRATAMENTO que visem diretamente as emoções sociais através do corpo.

O EU CORPORAL A CONSCIÊNCIA DO CORPO

A principal função da ínsula – ajudar-nos a reconhecer o que EXPERENCIAMOSr com base no que sentimos – SE RELACIONA A interocepção. Permite-nos interpretar um “estômago vazio” como fome física ou “borboletas” como excitação ou medo. Como mencionado acima, as emoções sociais surgem desse processo. Apesar da conexão entre a interocepção e as emoções sociais, pouca atenção científica tem sido dada às origens sociais da interocepção.

No Laboratório de Desenvolvimento Social da Universidade de Utah, o trabalho pioneiro de Kristina Oldroyd sugere que as primeiras experiências sociais impactam significativamente as áreas do cérebro responsáveis pela interocepção, influenciando o desenvolvimento do eu corporal. A equipa de pesquisa de Oldroyd descobriu que A PARENTAGEM insensível – que inclui responder inconsistentemente às necessidades da criança ou rejeitar o sofrimento por completo – pode prejudicar a capacidade da criança em formar representações precisas das sensações corporais3. Por exemplo, quando uma criança que está aprendendo a andar cai e sente dor física, uma resposta sensível de um pai pode ser: “Isso deve ter doído”, enquanto uma resposta insensível seria: “ISSO NÃO FOI NADA,DEIXE DE FRESCURA, LEVANTE-SE.” Para que a criança se sinta confortável em detetar, reconhecer e expressar pistas corporais, os pais devem perceber o que a criança está vivenciando, chamar a atenção conjunta para isso e nomeá-lo rotulá-lo3:

“Quanto mais os cuidadores reconhecerem, honrarem e respeitarem as experiências corporais dos seus filhos, mais a criança desenvolverá uma interocepção mais precisa”, explica Olroyd. “Quanto mais as experiências corporais de uma criança são negadas, desvalorizadas, ignoradas ou punidas pelos pais, mais a criança encontrará maneiras de evitar senti-las e desenvolverá um senso distorcido de interocepção.”3

Oldroyd afirma que a maneira como aprendemos a regular a dor física não é diferente da maneira como aprendemos a regular a dor emocional – em ambos os casos, somos socializados por meio da nossa experiência corporal. Estudos neurocientíficos apoiam a sua teoria, mostrando que crianças classificadas como tendo padrões de vinculação ansiosos ou evitativos têm um volume insular marcadamente menor do que as crianças  com vinculação segura 4. Se a consciência corporal permanece inalterada ao longo da vida adulta dessas crianças, quando os relacionamentos se tornam mais complexos e a regulação socioemocional cada vez mais importante, Oldroyd acredita que é a própria interocepção deficiente que pode levar a distúrbios como ansiedade, depressão e DEPENDÊNCIA DE SUBSTÂNCIASadição. Também pode, ironicamente, afastar alguns de nós da conexão social quando isso pode ser precisamente o que mais precisamos.

INTEROCEPÇÃO E SAÚDE SOCIAL

“Uma ideia com a qual TRABALHO”, diz Andy Arnold, psicólogo e especialista em interocepção da Universidade da Califórnia em San Diego e professor visitante no Knox College, “é A DE QUE a interocepção pode ser um mecanismo crítico para avaliar os recursos de enfrentamentonecessários nas nossas vidas. Se a compreensão interoceptiva for rejeitada, então a pessoa pode não ser capaz de sentir com precisão a necessidade de recursos [como] conexão social e agir de acordo com isso.” Por exemplo, A DEPENDÊNCIA DE SUBSTÂNCIAS pode ser uma avaliação distorcida de recursos em que “a droga é superestimada, mas são subestimados outros estímulos na vida”, referiu Arnold, acrescentando que a ínsula provavelmente desempenha um papel crítico neste processo.

Também funciona ao contrário: o abuso de substâncias perturba a interocepção e danifica a ínsula. Imagens do cérebro de pessoas com transtorno de uso de álcool mostram uma redução significativa da massa cinzenta na ínsula, marcada por uma perda profunda de neurónios de Von Economo (ou “células da empatia”)5, uma especialização evolutiva relativamente recente em humanos, considerada crucial para a sensibilidade interoceptiva e comportamento pró-social6. Paradoxalmente, em certos casos, é o dano na ínsula que reverte os comportamentos de dependência. Num estudo de 2015 sobre DEPENDÊNCIA, investigadores da University of Southern California observaram: “Por um lado, a dependência do álcool danifica a ínsula. Por outro lado, o dano causado na ínsula reduz o desejo por álcool.”7

Mas isso não é uma contradição se A DEPENDÊNCIA for considerado como um problema de saúde social. A ínsula pode normalmenteNOS motivar a procurar recompensa social, mas se não podemos entender as nossas necessidades socioemocionais com base no que estamos SENTINDO, podemos recorrer a substâncias para resolver essa incerteza. O abuso de substâncias pode ser como colocar o tipo errado de combustível no TANQUE: quando o cérebro e o corpo anseiam por conexão social, OFERECE-SE outra coisa, com o tempo, prejudica o motor, embora pareça  estar FUNCIONANDO ADEQUADAMENTE. Neste caso, talvez a relação habitual com a SUBSTÂNCIA supere a motivação original para usá-la. Por outro lado, danificar a ínsula completamente pode destruir o seu registo da substância como um substituto para a recompensa social e, portanto, reduzir imediatamente o desejo por ela.

A ínsula mostra-nos o quão equivocados podemos estar ao rotular transtornos como DEPENDÊNCIA, ansiedade, depressão e abuso de substâncias como problemas de “saúde mental”. Se a interocepção se desenvolve inicialmente no contexto de relacionamentos interpessoais, o mesmo ocorre com muitas das nossas aflições – ———-IMPLICANDO NOS tratamentos OFERTADOS.

CONECTANDO-SE ATRAVÉS DO CORPO

Em novembro de 2019, Arnold e a sua colega, a neurocientista Karen Dobkins, publicaram a primeira discussão académica sobre o que eles chamam de “interocepção social”, argumentando que a habilidade interoceptiva facilita a conexão social8. Para entender como a interocepção pode funcionar numa situação social, imagine um encontro que aumente a frequência cardíaca – uma resposta destinada a aumentar o estado de alerta e preparar a pessoa para “lutar ou fugir”. Dobkins e Arnold acreditam que pode não ser a resposta fisiológica em si que causa o ESTRESSE social, mas sim a interpretação subjetiva dela. Eles fazem referência a uma série de estudos realizados por investigadores em Munique que usaram testes deESTRESSE social PADRONIZADOS SIMULANDO SITUAÇÕES COMO falar em público de improviso9 e exclusão social10, num ambiente LÚDICO, para medir a interocepção. Os investigadores descobriram que as pessoas com maior precisão interoceptiva relataram menos emoções negativas após a situação social desafiadora, apesar da sua frequência cardíaca e condutância da pele serem semelhantes aos participantes com menor precisão interoceptiva. Por outras palavras, duas pessoas podem ter o mesmo estado corporal interno, mas experimentam níveis completamente diferentes de desconforto social.

“Isso leva à ideia interessante de que talvez uma maior precisão interoceptiva permita identificar a resposta fisiológica como resultante de uma ‘situação social’ externa e objetiva, em vez de um atributo de si mesmo”, dizem Dobkins e Arnold. “Isso pode refletir uma melhor regulação emocional em situações sociais.” Oldroyd destaca essas ideias no seu próprio trabalho: “o enviesamento de interpretar os sinais corporais de forma negativa, em vez de perceber os sinais corporais, é o que contribui para os sintomas cognitivos e comportamentais da ansiedade”.

Há um subtexto importante para essas afirmações: talvez não tenhamos nascido com as nossas várias neuroses sociais. Talvez APRESENTAMOS DE FORMA INATA  uma tendência para sinais sociais positivos, para nos relacionarmos com os outros. A interocepção NEGATIVA, frequentemente desenvolvida no contexto de ADVERSIDADE NA INFÂNCIA, pode ser o que MODULA para sinais negativos. A maneira de voltar atrás, diz Dobkins, seria começar a ouvir e confiar em seu corpo antes que sua mente tire conclusões precipitadas. No seu trabalho sobre solidão, Dobkins e Arnold descobriram que uma medida de interocepção em particular – confiança no corpo – previu variações de solidão subjetiva entre estudantes universitários da UCLA11, sugerindo que conectar-se com o próprio corpo permite conectar-se com os outros, sejam mais amigos ou amigos diferentes. Quanto mais se confia no próprio corpo, melhor a pessoa  lê a si mesma, mas também lê e se conecta com as outras pessoas.

“Conhece a sensação de quando você e outra pessoa estão ‘na mesma onda’?” diz Dobkins.” Bem, não é disso que estouFALANDO. Essa é a mente relatando e dizendo que ‘a outra pessoa e eu acreditamos ou queremos a mesma coisa’. A conexão é baseada no corpo. É um conhecimento CORPORAL. O que significa que você precisa conhecer seu corpo.”

O crescente campo da interocepção social pode ajudar-nos a compreender e tratar melhor não apenas a solidão, mas também a ansiedade, A DEPENDÊNCIA, os transtornos alimentares, a depressão e outras condições tradicionalmente associadas a padrõesCOGNITIVOS em vez de sinais corporais. Na verdade, a interocepção social pode ser uma peça-chave no quebra-cabeça de explicar como funciona a terapia  assistidaCOM PSICODÉLICOS.

DROGAS PSICODÉLICAS E INTEROCEPÇÃO

Como parte da Rede de Saliência, uma das principais funções da ínsula é orquestrar a atividade entre outras redes, incluindo a Rede de Modo Padrão e a Rede Executiva Central. Em 2017, Robin Carhart-Harris e a sua equipa de pesquisa no Imperial College London, descobriram que a hipoconectividade da ínsula é “uma assinatura neurobiológica da experiência COM MDMA (metilenodioximetanfetamina)”, correlacionando-a com ansiedade reduzida, sensações corporais alteradas e mudanças na interocepção12. “Uma maior compreensão de como o MDMA afeta a ínsula”, escreve Carhart-Harris, “pode ser crucial para elucidar os fundamentos neurobiológicos do ressurgimento do interesse pelo MDMA como um adjunto da  psicoterapia no tratamento de transtornos de ansiedade, incluindo TEPT (Transtorno de stress pós-traumático)”. Outras equipas encontraram resultados semelhantes, ligando a hipoconectividade da ínsula à experiência do LSD (dietilamida do ácido lisérgico)13.

A pesquisa sobre os correlatos neurais de diferentes tipos de meditação mindfulness aponta também para a ínsula e para o corpo. Comentando sobre um estudo sobre Bondade Amorosa, Atenção Focada, Monitorização Aberta e Recitação de Mantras, Carhart-Harris observa que, embora esses quatro estilos de meditação sejam claramente dissociados por  seus correlatos neurais, existem “alguns padrões recorrentes de modulação de atividade, em particular na ínsula, uma importante área multissensorial fortemente envolvida na consciência interoceptiva”14. Ele sugere que o envolvimento da ínsula em todos os quatro estilos de meditação aponta para “o papel central do controle da atenção da consciência corporal, e da consciência da respiração em particular, durante várias práticas contemplativas.” Como vimos, a consciência corporal está intimamente ligada à emoção social, o que pode ajudar a explicar os benefícios da meditação da atenção plena e da terapia PSICODÉLICA.

PSICADÉLICOS E CONEXÃO

Na Universidade de Zurique, Katrin Preller estuda os benefícios sociais dos PSICODÉLICOS para a saúde. O seu trabalho nesta área confirma a noção de Allmann de que a forma como nos vemos está intrinsecamente ligada à perceção social. Por exemplo, descobriu-se que a psilocibina e o LSD reduzem a dor social especificamente por meio de alterações no autoprocessamento15, que incluem experiências de unidade e conexão.

“Um dos principais aspetos da experiência PSICODÉLICA é a sensação de conexão – com o universo, a natureza, mas também com o ambiente social”, referiu Preller. “Além disso, vemos um aumento na empatia emocional, que pode ser um factor importante que contribui para o sentimento de conexão. Em ensaios clínicos, estamos atualmente a testar a hipótese de que esta experiência contribui para a eficácia da terapia assistida COM PSICODÉLICOS”.

Numa série de estudos bem-sucedidos  DA Johns Hopkins, visando ESTUDAR O EFEITO DA PSILOCIBINA NA DEPENDÊNCIA DO TABACO, os participantes “identificaram fatores sociais, por exemplo, fumar como forma de se conectar com as outras pessoas, QUE contribuíram para a sua DEPENDÊNCIA”.16 Eles relataram sentimentos de amor induzidos pela psilocibina e de conexão com o meio ambiente e outras pessoas, independente do tabagismo como factor social, como importantes para parar de fumar17.“ A psilocibina pode ter REINSTALADO o processamento de recompensa social, ajudando os pacientes a superar A DEPENDÊNCIA”, especula Preller. “A minha esperança é que a terapia se concentre mais na cognição social e no ambiente social dos pacientes. Por exemplo, os treinos sociais podem ter como objetivo restabelecer o processamento de recompensa social em pacientes dependentes, ajudando-os a reconectar-se com o seu ambiente social.”

Pesquisas sobre a ínsula e a interocepção social sugerem que o corpo é o principal canal por meio do qual essas mudanças devem ocorrer. Sentimentos de amor e conexão são exatamente isso – sentimentos. Parece que devemos sentir a recompensa social, mantê-la nos nossos corpos, para não precisarmos da sua reposição. Ao fazer isso, talvez restauremos algum tipo de configuração padrão. Pelo que sabemos, “conexão” pode não ser um sentimento aditivo. Ao contrário, pode ser a sensação despojada e primordial de que o self é socialmente construído. E embora possa ser um novo sentimento para a psique, o trabalho de Oldroyd sugere que não é um novo sentimento para o corpo. Talvez seja por isso que as experiências PSICODÉLICAS podem parecer tão profundas para alguns: no fundo dos seus corpos, eles sempre o souberam.

DA CONECTIVIDADE GLOBAL À PLASTICIDADE LOCAL

Em abril de 2019, investigadores da Universidade Johns Hopkins publicaram um estudo com animais mostrando que o MDMA reabre um “período crítico” quando o cérebro do rato é sensível para aprender o valor de recompensa dos comportamentos sociais18. Embora seja um estudo neurobiológico, atribuindo a reabertura à plasticidade cerebral elevada induzida pela oxitocina, o mecanismo comportamental parece-se muito com a teoria de interocepção da infância de Oldroyd: Períodos críticos foram descritos pela primeira vez em gansos da neve na década de 1930, quando gansos BEBÊS se relacionaram com um objeto se TIVESSEM SIDO retirados DO CONTATO COM A mãe após 24 horas do seu nascimento, mas não 48 horas após. Pode-se deduzir quais os gansos que seriam mais capazes de socializar os sinais corporais ao entrar na idade adulta, presumindo que os gansos tenham consciência de si o suficiente para fazer isso. No estudo DA JOHNS Hopkins, camundongos adultos que receberam MDMA mostraram comportamento pró-social de uma forma normalmente vista apenas em jovens, formando associações positivas entre companheirismo e um certo tipo de cama no seu recinto. A neurocientista Gül Dölen e a sua EQUIPE descobriram que isso acontecia apenas se a droga fosse dada a ratos quando eles estavam com outros ratos, e não se fosse dada a ratos enquanto eles estavam sozinhos. “Isso sugere que a reabertura do período crítico usando MDMA pode depender DO FATO DOS animais estarem em um ambiente social”, diz Dölen.

TERAPIA REALIZADA EM CENÁRIOS SOCIAIS

Embora Dölen sugira que este tipo de tratamento pode funcionar em humanos ao fortalecer o vínculo psicoterapeuta-paciente, eu argumentaria que também é um caso para um tipo diferente de terapia – algo nos moldes da terapia social incorporada, ou trabalho corporal em grupo liderado por psicoterapeutas. A aprendizagem da recompensa social ocorre por meio do corpo, num ambiente social, em grande parte porque somos socializados por meio dos nossos corpos no início das nossas vidas. Se o objetivo terapêutico é a conexão social adaptativa, por que não dar maior ênfase à conexão como terapia?

Na verdade, parece questionável que qualquer um de nós se deva curar como sujeitos isolados, quando nascemos para nos unir e quando o resto de nossas vidas é construído em torno da conexão. Não importa o quão POSITIVO seja o seu relacionamento com o seu terapeuta, a dinâmica geralmente é a de um objeto sendo examinado sob um microscópio. A terapia moderna ainda cheira a estigmatização e quarentena – os nossos problemas são tão particulares que devem ser mantidos em segredo. Mesmo a terapia de Experimentação Somática, que pelo menos nos revela estes problemas por meio do corpo, trata cada pessoa isoladamente. Não precisamos necessariamente compartilhar nossos problemas para curar. Na verdade, alguns pacientes de PTSD tornam-se assintomáticos após sessões de terapia assistida COM PSICODÉLICOS em que nenhuma palavra é trocada19. Mas pode ser que só possamos reabrir as portas da aprendizagem social – e curar-nos de doenças sociais – por meio do corpo, de cada um e da parte do cérebro que, ironicamente, parece estar sozinha.

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Referências

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