psychedelics connection filtered  psychedelics connection filtered

(Re)conexão:

Um princípio básico de acção por detrás das substâncias psicadélicas?

Traduzido por João Cardoso, editado por Joana Miranda

Esta publicação também está disponível em: English English Deutsch Deutsch

Christoph Benner, M.Sc.

Ph.D. Candidate

Christoph Benner has studied bioenergetic dysfunction in depression and is doing his doctoral research at ETH Zürich.

View full profile ››

Editado por Lucca Jaeckel & Abigail Calder

Our work at MIND relies on donations from people like you.
If you share our VISION and want to support psychedelic research and education, we are grateful for any amount you can give.
   Donate

Related Content

The latest posts connected to:
Psychedelic Therapy
    82756110542
  • Essay
  • 8 minutes
  • Outubro 23, 2020
  • Mental Health
  • Psychedelic Therapy
Share:

Este artigo foi submetido a concurso para o Prémio 2020 uniMIND Blog Post Award.

 

Isenção de responsabilidade: este post do blog foi traduzido e editado por voluntários. Os contribuidores não representam a MIND Foundation. Se notar algum erro ou inconsistência, por favor informe-nos – agradecemos qualquer sugestão que possa melhorar o nosso trabalho (mailto:[email protected]). Se deseja ajudar no processo de tradução, entre em contacto connosco para se juntar ao MIND Blog Translation Group!

“ESTA CONEXÃO, É SIMPLESMENTE UMA SENSAÇÃO ENCANTADORA… ESTA SENSAÇÃO DE CONECTIVIDADE, ESTAMOS TODOS INTERLIGADOS.”1

– PACIENTE EM ESTADO DEPRESSIVO APÓS UMA DOSE TERAPÊUTICA DE PSILOCIBINA.

No mundo cada vez mais acelerado em que vivemos, muitos sentem-se cada vez mais perdidos e deixados para trás. Apesar das omnipresentes redes sociais, as taxas de ansiedade e depressão têm vindo a aumentar há anos.2 Como potencial antídoto contra esta perda de conexão consigo próprio e com os outros, as substâncias psicadélicas têm experienciado um ressurgimento na ciência e na medicina:3,4 Estas podem proporcionar uma oportunidade de identificação das decisões de vida erradas e tecer novos e significativos padrões nas nossas teias sociais.5

Mas como é que as substâncias psicadélicas capazes de o fazer? Nos parágrafos que se seguem, argumentarei que um princípio subjacente às substâncias psicadélicas é a conexão – ou mesmo a reconexão. Este restabelecimento da conexão funciona a diferentes níveis: o biológico, o psicológico, o social, e o ecológico.

O NÍVEL BIOLÓGICO

Façamos um pequeno truque de magia. Por favor adote uma posição descontraída e confortável e proceda do seguinte modo:

Pense na sua comida favorita. Imagine a textura, os diferentes sabores, as cores, o cheiro. Tente permanecer inteiramente  na deliciosa experiência que esta comida lhe proporciona.

***

Um bom truque , não acha? O seu cérebro criou uma espécie de realidade virtual sem necessitar de óculos especiais! Esta realidade virtual, a comida na qual estava a pensar há dez segundos atrás, é gerada por neurónios no cérebro que se ligam uns aos outros. Com este exemplo em mente, vamos  ter em conta como  a “ligação” dos neurónios pode ajudar-nos a compreender a depressão.

A depressão está associada a uma mudança na conectividade neuronal, entre outras coisas, em áreas do cérebro pertencentes àquilo a que os neurocientistas chamam de default mode network (DMN) .6 Esta rede – como o nome sugere – está ativa no nosso modo padrão (default mode): quando sonhamos acordados, pensamos em nós próprios, ou deixamos a nossa mente vaguear. Por outro lado, quando estamos envolvidos numa tarefa que requer concentração num estímulo externo específico, a atividade da DMN é atenuada e outras áreas do cérebro tornam-se mais ativas. É esta fluidez na conectividade funcional que contribui para uma mente saudável.

Nos pacientes em estado de depressão, no entanto, a fluidez diminui em favor da rigidez. A cognição altera-se drasticamente para padrões constantes de pensamento negativo, particularmente sobre si próprio.7 Da mesma forma, tentar imaginar qualquer coisa agradável – como a comida preferida – torna-se difícil quando a cognição está encravada num ciclo tão negativo.

De forma fascinante, as substâncias psicadélicas são capazes de aliviar a rigidez dentro da DMN e permitir que as regiões cerebrais restabeleçam a ligação entre si de uma forma que se assemelha a uma dinâmica saudável.8,9 De facto, os compostos psicadélicos parecem aumentar seletivamente a conectividade neuronal a nível molecular.10 Isto significa que podem ser capazes de reconstituir a conexão das vias neuronais que foi perdida no decurso de um longo período de depressão.11 Pode-se constatar como este efeito sobre a conectividade neuronal se traduz num aumento do bem-estar se olharmos para…

O NÍVEL PSICOLÓGICO

Numa das suas publicações, a equipa de investigação liderada pelo Dr. Robin Carhart-Harris definiu o ego como “uma sensação de possuir uma identidade ou personalidade imutável; muito simplesmente, o ego é a nossa “noção do self” .12 Para cada um de nós, a noção do self  encerra uma série de processos mentais: a sensação de ter um corpo, de recordar experiências passadas, de sentir emoções, ou de planear o futuro. Ter um ego associado a estes processos mentais não é geralmente um problema. Todavia, perturbações como a depressão surgem quando o ego toma as rédeas  da vida cognitiva, conduzindo em direção à cognição negativa a cada oportunidade que surge.  Esta identificação ilusória e falsa de pensamentos (negativos) com o self  é como identificar erroneamente uma imagem de um objeto com o próprio objeto, como ilustrado de forma belíssima pela famosa pintura de René Magritte “The Treachery of Images

Figura 1:The Treachery of Images , de René Magritte, 1929

Dizendo de forma simples: tal como não há um cachimbo na imagem, não há self ou ego num pensamento.

Carhart-Harris e a sua equipa postulam ainda que a função da DMN  se correlaciona com a função do ego. O próprio escreve:

“ESPECIFICAMENTE, PROPOMOS QUE   A CONECTIVIDADE INTERNA FUNCIONAL EM ESTADO DE REPOUSO (RSFC) DA DEFAULT MODE NETWORK (DMN)  E A ATIVIDADE OSCILATÓRIA ESPONTÂNEA E SÍNCRONA NO CÓRTEX CINGULADO POSTERIOR (CCP), PARTICULARMENTE NA BANDA DE FREQUÊNCIA ALFA (8-13 HZ), PODEM SER TRATADAS COMO CORRESPONDENTES NEURAIS DA «INTEGRIDADE DO EGO»”12.

O que isto significa é que o nosso sentido de self está associado à atividade numa rede neuronal funcional (ou seja, a DMN), sustentada pela atividade da banda alfa (8-13 Hz) e formando um padrão bem orquestrado (atividade oscilatória síncrona). Como explicado acima, um cérebro deprimido é parcialmente caracterizado por uma DMN demasiado “apertada” que se traduz no fardo psicológico que estes pacientes carregam. Por outras palavras, os pacientes com depressão sofrem de um ego que é demasiado dominante. O que acontece, então, se as substâncias psicadélicas cortarem temporariamente os fios que mantêm o ego unido? Um paciente em estado depressivo que se submeteu a uma sessão de psicoterapia assistida por psilocibina responde:

“ESTA CONEXÃO, É SIMPLESMENTE UMA SENSAÇÃO ENCANTADORA… ESTA SENSAÇÃO DE CONECTIVIDADE, ESTAMOS TODOS INTERLIGADOS”. (SEXO MASCULINO, 52 ANOS DE IDADE)1

Como possível explicação para este aumento da sensação de ligação, as substâncias psicadélicas parecem conduzir o cérebro a um estado de maior entropia, caracterizado por um aumento das possíveis ligações entre regiões. Parecem induzir um colapso do padrão habitual de atividade internada DMN, e, por consequência, do ego que é subjetivamente experienciado (ver Figura 2).12,13 Uma consequência disto parece ser uma maior sensação de conexão com o ambiente. Este ambiente poderá ser outras pessoas (sociedade) ou a natureza à sua volta (ecologia).

Figura 2: Padrão de conectividade funcional em repouso do córtex visual primário por comparação entre placebo e LSD. O Padrão apresenta o aumento da entropia cerebral após as substâncias psicadélicas.14

 O NÍVEL SOCIAL

A citação de Timothy Leary “turn on, tune in, drop out” (“liga-te, sintoniza-te, desvincula-te”) foi a célebre tríade da contracultura psicadélica dos anos 60 que conduziu muitas pessoas ao novo mundo da experiência psicadélica. Embora as implicações políticas da declaração sejam controversas, pesquisas recentes esclarecem por que razão esta poderá ter sido tão apelativa em combinação com substâncias psicadélicas. A investigação psicológica recente demonstra agora que a LSD altera a cognição social ao aumentar a abertura, a confiança, a empatia, o comportamento socialmente favorável, o desejo de estar com outras pessoas, e a perceção de proximidade com outros.15,16 Deste modo, não é surpreendente que as pessoas que compartilharam esta perceção de si próprias com outras, anteriormente desconhecida e profundamente alterada, também se tenham envolvido em discussões acerca de como uma nova e melhor sociedade poderia ser estabelecida.

A tragédia foi que a descoberta da LSD tinha apenas 30 anos de idade, e os rituais psicadélicos não vieram com um manual de redução de danos. O prometido efeito libertador na mente foi tão sedutor que muitos consumiram substâncias psicadélicas de forma irresponsável, o que levou à condenação política dos compostos psicadélicos pelo governode Richard Nixon.17 A forma como isso acabou está bem documentada: a investigação científica das aplicações médicas das substâncias psicadélicas foi cancelada por várias décadas.18,19

Atualmente, há sinais de que o uso de substâncias psicadélicas em ambientes médicos e recreativos está lentamente a ser descriminalizado nos Estados Unidos da América.20,21 Não devemos perder a oportunidade de discutir como implementar estas ferramentas em prol do desenvolvimento pessoal e social na nossa cultura antes que a onda de descriminalização chegue à Europa. Desta forma, podemos tentar evitar a ausência da redução de danos que impediu a integração responsável das substâncias psicadélicas na sociedade em gerações anteriores. Talvez até mais importante ainda, a introdução segura da experiência psicadélica na sociedade permitir-nos-á restabelecer a conexão com…

O NÍVEL ECOLÓGICO

Como é que as substâncias psicadélicas e a problemática ecológica estão conectadas? Alguns acreditam que os compostos psicadélicos podem aumentar a ligação à natureza dissolvendo as fronteiras do ego, resultando na inclusão da natureza na sua auto-identificação.22 Este efeito é descrito no seguinte testemunho de um paciente:

“ANTES [DA EXPERIÊNCIA PSICADÉLICA] EU APRECIAVA A NATUREZA, AGORA SINTO-ME PARTE DELA. ANTES OLHAVA PARA ELA COMO UMA COISA, COMO UMA TELEVISÃO OU UMA PINTURA. [MAS] TU FAZES PARTE DELA, NÃO HÁ SEPARAÇÃO OU DISTINÇÃO, TU ÉS ELA”23

As evidências que suportam a teoria de que as substâncias psicadélicas aumentam a ligação à natureza estão a aumentar. Num pequeno estudo envolvendo doentes com depressão resistente ao tratamento, verificou-se que a relação com a natureza e o autoritarismo aumentaram e diminuíram, respetivamente, com duração de até 12 meses após a administração de psilocibina.24 Além disso, num estudo online em grande escala, realizado na população em geral,  os participantes relataram que a sua utilização de substâncias psicadélicas elevou a identificação de si próprios com a natureza, a qual, por sua vez, foi associada aum comportamento favorável ao ambiente.25 Além disso, outro estudo de inquérito concluiu que atitudes e crenças relacionadas, tais como o traço de personalidade da “abertura” e opiniões políticas liberais, estavam associadas de uma forma positiva à ingestão de substâncias psicadélicas, embora a magnitude deste efeito não deva ser sobrestimada.26

É um assunto ainda em discussão se a relação entre a conformidade com a natureza e as substâncias psicadélicas é causal ou correlativo. Contudo, os resultados preliminares indicam que, para além dos efeitos positivos em indivíduos saudáveis, a exposição à natureza no âmbito do tratamento da depressão pode aumentar significativamente a taxa de sucesso. Uma análise mais completa e aprofundada das substâncias psicadélicas e da relação com a natureza poderá ser encontrada noutras fontes .27

CONECTANDO OS PONTOS

No crescente número de estudos sobre substâncias psicadélicas das últimas duas décadas, a conexão é um tema recorrente. As substâncias psicadélicas permitem novas ligações entre neurónios, o que se traduz numa maior conectividade entre certas regiões do cérebro. Este resultado pode constituir o cerne dos efeitos antidepressivos das substâncias psicadélicas, e possivelmente o seu potencial terapêutico geral.

No romance Island, de Aldous Huxley, uma sociedade utópica constrói as suas crenças ecológicas através da utilização de cogumelos psicadélicos. Do mesmo modo, o uso significativo e eticamente esclarecido de substâncias psicadélicas poderia ajudar as pessoas a restabelecer a ligação com o seu ambiente social e ecológico. Se continuarmos a avaliar cuidadosa e criteriosamente os avanços científicos e as mudanças legislativas relativas às substâncias psicadélicas, poderemos aproximar-nos mais do desígnio da Fundação MIND: construir um mundo mais saudável e mais conectado.

Este post do blog foi submetido ao prémio de post do blogue uniMIND, no qual membros de grupos uniMIND de toda a Europa submetem ensaios ao Blog da MIND. Christoph é membro e coordenador do grupo uniMIND em Zurique.

Learn more about uniMIND
O nosso trabalho na MIND é baseado em doações de pessoas como você.

Se partilha a nossa visão e deseja apoiar a investigação e educação em psicadélicos, agradecemos qualquer contribuição possível.

Referências

  1. Carhart-Harris, R. L.; Erritzoe, D.; Haijen, E.; Kaelen, M.; Watts, R. (2018): Psychedelics and connectedness. In: Psychopharmacology 235 (2), S. 547–550. DOI: 10.1007/s00213-017-4701-y.
  2. https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/254610/WHO-MSD-MER-2017.2-eng.pdf;jsessionid=B35609CAFB96E2D4E9BAD30847B0C444?sequence=1
  3. Kelly, J. R.; Baker, A.; Babiker, M.; Burke, L.; Brennan, C.; O’Keane, V. (2019): The psychedelic renaissance. The next trip for psychiatry? In: Irish journal of psychological medicine, S. 1–5. DOI: 10.1017/ipm.2019.39.
  4. Sessa, Ben (2012): Shaping the renaissance of psychedelic research. In: Lancet (London, England) 380 (9838), S. 200–201. DOI: 10.1016/S0140-6736(12)60600-X.
  5. Hartogsohn, Ido (2018): The Meaning-Enhancing Properties of Psychedelics and Their Mediator Role in Psychedelic Therapy, Spirituality, and Creativity. In: Frontiers in neuroscience 12, S. 129. DOI: 10.3389/fnins.2018.00129.
  6. Helm, Katharina; Viol, Kathrin; Weiger, Thomas M.; Tass, Peter A.; Grefkes, Christian; Del Monte, Damir; Schiepek, Günter (2018): Neuronal connectivity in major depressive disorder. A systematic review. In: Neuropsychiatric disease and treatment 14, S. 2715–2737. DOI: 10.2147/NDT.S170989.
  7. Yan, Chao-Gan; Chen, Xiao; Le Li; Castellanos, Francisco Xavier; Bai, Tong-Jian; Bo, Qi-Jing et al. (2019): Reduced default mode network functional connectivity in patients with recurrent major depressive disorder. In: Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America 116 (18), S. 9078–9083. DOI: 10.1073/pnas.1900390116.
  8. Carhart-Harris, Robin L.; Erritzoe, David; Williams, Tim; Stone, James M.; Reed, Laurence J.; Colasanti, Alessandro et al. (2012): Neural correlates of the psychedelic state as determined by fMRI studies with psilocybin. In: Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America 109 (6), S. 2138–2143. DOI: 10.1073/pnas.1119598109.
  9. Palhano-Fontes, Fernanda; Andrade, Katia C.; Tofoli, Luis F.; Santos, Antonio C.; Crippa, Jose Alexandre S.; Hallak, Jaime E. C. et al. (2015): The psychedelic state induced by ayahuasca modulates the activity and connectivity of the default mode network. In: PloS one 10 (2), e0118143. DOI: 10.1371/journal.pone.0118143.
  10. Ly, Calvin; Greb, Alexandra C.; Cameron, Lindsay P.; Wong, Jonathan M.; Barragan, Eden V.; Wilson, Paige C. et al. (2018): Psychedelics Promote Structural and Functional Neural Plasticity. In: Cell reports 23 (11), S. 3170–3182. DOI: 10.1016/j.celrep.2018.05.022.
  11. Duman, Ronald S.; Aghajanian, George K.; Sanacora, Gerard; Krystal, John H. (2016): Synaptic plasticity and depression. New insights from stress and rapid-acting antidepressants. In: Nature medicine 22 (3), S. 238–249. DOI: 10.1038/nm.4050.
  12. Carhart-Harris, Robin L.; Leech, Robert; Hellyer, Peter J.; Shanahan, Murray; Feilding, Amanda; Tagliazucchi, Enzo et al. (2014): The entropic brain. A theory of conscious states informed by neuroimaging research with psychedelic drugs. In: Frontiers in human neuroscience 8, S. 20. DOI: 10.3389/fnhum.2014.00020.
  13. Carhart-Harris, R. L.; Friston, K. J. (2019): REBUS and the Anarchic Brain. Toward a Unified Model of the Brain Action of Psychedelics. In: Pharmacological reviews 71 (3), S. 316–344. DOI: 10.1124/pr.118.017160.
  14. Carhart-Harris, Robin L.; Muthukumaraswamy, Suresh; Roseman, Leor; Kaelen, Mendel; Droog, Wouter; Murphy, Kevin et al. (2016): Neural correlates of the LSD experience revealed by multimodal neuroimaging. In: Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America 113 (17), S. 4853–4858. DOI: 10.1073/pnas.1518377113.
  15. Dolder, Patrick C.; Schmid, Yasmin; Müller, Felix; Borgwardt, Stefan; Liechti, Matthias E. (2016): LSD Acutely Impairs Fear Recognition and Enhances Emotional Empathy and Sociality. In: Neuropsychopharmacology : official publication of the American College of Neuropsychopharmacology 41 (11), S. 2638–2646. DOI: 10.1038/npp.2016.82.
  16. Schmid, Yasmin; Enzler, Florian; Gasser, Peter; Grouzmann, Eric; Preller, Katrin H.; Vollenweider, Franz X. et al. (2015): Acute Effects of Lysergic Acid Diethylamide in Healthy Subjects. In: Biological psychiatry 78 (8), S. 544–553. DOI: 10.1016/j.biopsych.2014.11.015.
  17. Bonson, Katherine R. (2018): Regulation of human research with LSD in the United States (1949-1987). In: Psychopharmacology 235 (2), S. 591–604. DOI: 10.1007/s00213-017-4777-4.
  18. Nichols, David E. (2016): Psychedelics. In: Pharmacological reviews 68 (2), S. 264–355. DOI: 10.1124/pr.115.011478.¨
  19. Carhart-Harris, Robin L.; Goodwin, Guy M. (2017): The Therapeutic Potential of Psychedelic Drugs. Past, Present, and Future. In: Neuropsychopharmacology : official publication of the American College of Neuropsychopharmacology 42 (11), S. 2105–2113. DOI: 10.1038/npp.2017.84.
  20. https://hightimes.com/health/psilocybin-decriminalization-efforts-worth-expanding-nationwide/
  21. https://time.com/5585635/denver-magic-mushrooms-vote/
  22. Nour, Matthew M.; Evans, Lisa; Nutt, David; Carhart-Harris, Robin L. (2016): Ego-Dissolution and Psychedelics. Validation of the Ego-Dissolution Inventory (EDI). In: Frontiers in human neuroscience 10, S. 269. DOI: 10.3389/fnhum.2016.00269.
  23. Watts, Rosalind; Day, Camilla; Krzanowski, Jacob; Nutt, David; Carhart-Harris, Robin (2017): Patients’ Accounts of Increased “Connectedness” and “Acceptance” After Psilocybin for Treatment-Resistant Depression. In: Journal of Humanistic Psychology 57 (5), S. 520–564. DOI: 10.1177/0022167817709585.
  24. Lyons, Taylor; Carhart-Harris, Robin L. (2018): Increased nature relatedness and decreased authoritarian political views after psilocybin for treatment-resistant depression. In: Journal of psychopharmacology (Oxford, England) 32 (7), S. 811–819. DOI: 10.1177/0269881117748902.
  25. Forstmann, Matthias; Sagioglou, Christina (2017): Lifetime experience with (classic) psychedelics predicts pro-environmental behavior through an increase in nature relatedness. In: Journal of psychopharmacology (Oxford, England) 31 (8), S. 975–988. DOI: 10.1177/0269881117714049.
  26. Nour, Matthew M.; Evans, Lisa; Carhart-Harris, Robin L. (2017): Psychedelics, Personality and Political Perspectives. In: Journal of psychoactive drugs 49 (3), S. 182–191. DOI: 10.1080/02791072.2017.1312643.
  27. Kettner, Hannes; Gandy, Sam; Haijen, Eline C. H. M.; Carhart-Harris, Robin L. (2019): From Egoism to Ecoism. Psychedelics Increase Nature Relatedness in a State-Mediated and Context-Dependent Manner. In: International journal of environmental research and public health 16 (24). DOI: 10.3390/ijerph16245147.